O livro conta a estória do jovem Téo, um  professor Francês homossexual que desiste do casamento e vive em busca de sua identidade.

Lindo e urgente, como tudo o que escreveu Rosa Lobato Faria.

Abaixo, algumas de suas melhores palavras:

E de novo a armadilha dos abraços.

E de novo o enredo das delícias.

O rouco da garganta, os pés descalços

a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas

no altar esplendoroso das ofertas.

De novo beijo a beijo as madrugadas

de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso

teço um colar de gritos e silêncios

a ecoar no som dos precipícios.

E tudo o que me dás eu te devolvo

E fazemos de novo, sempre novo

o amor total dos deuses e dos bichos.

……………………………….

Outra coisa que o corpo há quem conheça.

Eu não. Somente nele me cumpro viva.

Poema, beijo, estrela, afago, intriga

Só no corpo me são pés e cabeça.

E coração também que às vezes teça

Razão de me saber mais que medida

Nessa trágica trama tão antiga

A que chamam ficar de amor possessa.

E é de novo poema, beijo, afago.

É de novo corpo que te trago

A exótica festa da nudez.

E tudo quanto sinto e quanto penso

Toma corpo no corpo a que pertenço.

E aqui estou: de barro, como vês.

……………………………….

De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.

De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.

De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.

E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.

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